Datas tradicionais da vida de Buda
563 a.C.–483 a.C.

O evento em detalhe
Sidarta Gautama, também chamado Buda ("o desperto"), foi um mestre religioso itinerante, ou śramaṇa, que viveu nas planícies indo-gangéticas orientais no século VI ou V a.C. e fundou o budismo. Segundo as narrativas budistas, nasceu em Lumbini, no atual Nepal, em uma família do clã Shakya, e deixou a vida doméstica para viver como asceta itinerante. Depois de mendigar, praticar o ascetismo e meditar, alcançou o nirvana em Bodh Gaya, no atual estado indiano de Biar. Percorreu então a planície indo-gangética, ensinando e formando uma comunidade monástica, a sanga. A tradição budista situa sua morte em Kushinagar, no atual estado de Uttar Pradesh, na Índia, e a descreve como o parinirvana, a libertação final da existência condicionada.
Na tradição budista, Buda ensinou um Caminho do Meio entre a busca dos prazeres sensuais e o ascetismo rigoroso, pelo qual se alcançaria a libertação da ignorância, do desejo, do renascimento e do sofrimento. As Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo resumem esses ensinamentos. O caminho envolve conduta ética e bondade para com os outros, além de práticas meditativas como o domínio dos sentidos, a atenção plena e dhyana. Os cinco agregados e a originação dependente também ocupam lugar central nos ensinamentos atribuídos a Buda: processos físicos e mentais surgem e cessam conforme suas condições, e nenhum dos cinco agregados constitui um eu permanente.
Nos nicaias, Buda costuma referir-se a si mesmo como Tathāgata. O título "Buda", que pode ser traduzido como "desperto" ou "iluminado", está documentado desde o século III a.C. A comunidade budista reuniu regras de disciplina monástica no Vinaya Piṭaka e discursos atribuídos a ele no Sutta Piṭaka. Esses textos foram transmitidos oralmente em línguas indo-arianas médias. Gerações posteriores compuseram tratados conhecidos como Abhidharma, biografias, narrativas de vidas anteriores chamadas jātakas e novos discursos, entre eles os sūtras mahāyāna.
O budismo deu origem a tradições como o teravada, o maaiana e o vajrayana, e se espalhou para além do subcontinente indiano. Na Índia, seus mosteiros permaneceram ativos durante a Idade Média, mas a maioria foi abandonada no século XIII; a tradição também se difundiu pelo Sudeste Asiático e pela Ásia Oriental.
