Crise dos mísseis de Cuba
16 de outubro de 1962
O evento em detalhe
Crise dos Mísseis de Cuba, também conhecida como Crise de Outubro em Cuba (em castelhano: Crisis de Octubre) ou Crise do Caribe (em russo: Карибский кризис; romaniz.: Karibskiy krizis), foi um confronto de treze dias entre os governos dos Estados Unidos e da União Soviética, no qual a instalação estadunidense de mísseis nucleares no Reino Unido, na Itália e na Turquia foi correspondida pela instalação soviética de mísseis nucleares em Cuba. A crise durou de 16 a 28 de outubro de 1962. O confronto é amplamente considerado o momento em que a Guerra Fria esteve mais próxima de se transformar em uma guerra nuclear em grande escala.
Em 1959, o governo dos Estados Unidos instalou mísseis nucleares Thor na Inglaterra, em uma iniciativa conhecida como Projeto Emily. Em 1961, os Estados Unidos instalaram mísseis nucleares Jupiter na Itália e na Turquia. Todos estavam ao alcance de Moscou. Os Estados Unidos também haviam treinado uma força paramilitar de exilados cubanos para uma tentativa liderada pela CIA de invadir Cuba e derrubar seu governo, em abril de 1961. A partir de novembro daquele ano, o governo estadunidense iniciou uma campanha violenta de terrorismo e sabotagem em Cuba, denominada Projeto Cubano, que continuou durante toda a primeira metade da década de 1960. A administração soviética estava preocupada com uma possível aproximação de Cuba com a China, país com o qual os soviéticos mantinham uma relação cada vez mais tensa. Em resposta a esses fatores, os governos soviético e cubano concordaram, durante uma reunião entre os líderes Nikita Khrushchov e Fidel Castro, em julho de 1962, em instalar mísseis nucleares em Cuba para impedir uma futura invasão estadunidense. A construção de instalações de lançamento começou pouco depois.
Um avião de espionagem U-2 obteve evidências fotográficas de instalações de lançamento de médio e longo alcance em outubro. O presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, convocou uma reunião do Conselho de Segurança Nacional e de outros assessores importantes, formando o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional (EXCOMM). Kennedy foi aconselhado a realizar um ataque aéreo em território cubano para comprometer os suprimentos de mísseis soviéticos, seguido por uma invasão da ilha de Cuba. Ele escolheu uma estratégia menos agressiva para evitar uma declaração de guerra. Em 22 de outubro, Kennedy ordenou um bloqueio naval para impedir que outros mísseis chegassem a Cuba. Ele denominou o bloqueio de "quarentena", e não de bloqueio, para que os Estados Unidos pudessem evitar as implicações formais de um estado de guerra.
Por fim, Kennedy e Khrushchov chegaram a um acordo. Os soviéticos desmantelariam suas armas ofensivas em Cuba, sob a supervisão da Organização das Nações Unidas, em troca de uma declaração pública e de um compromisso dos Estados Unidos de não invadir Cuba novamente. Secretamente, os Estados Unidos concordaram em desmantelar todas as armas ofensivas que haviam instalado na Turquia. Todos os mísseis Thor no Reino Unido foram desativados até agosto de 1963. Enquanto os soviéticos desmantelavam seus mísseis, alguns bombardeiros soviéticos permaneceram em Cuba, e os Estados Unidos mantiveram a quarentena naval até 20 de novembro de 1962. O bloqueio foi formalmente encerrado em 20 de novembro, depois que todos os mísseis ofensivos e bombardeiros foram retirados de Cuba. A necessidade evidente de uma linha de comunicação rápida e direta entre as duas potências resultou na criação do telefone vermelho entre Moscou e Washington. Uma série de acordos reduziu posteriormente as tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética durante vários anos.
O acordo constrangeu Khrushchov e a União Soviética, pois a retirada dos mísseis estadunidenses da Itália e da Turquia fazia parte de um acordo secreto entre Kennedy e Khrushchov, enquanto os soviéticos foram vistos como se estivessem recuando de uma situação que eles próprios haviam iniciado. A queda de Khrushchov dois anos depois ocorreu, em parte, devido ao constrangimento do Politburo soviético tanto com as concessões que Khrushchov acabou fazendo aos Estados Unidos quanto com sua inépcia ao provocar a crise. Segundo o embaixador soviético nos Estados Unidos, Anatoli Dobrynin, a alta liderança soviética considerou o desfecho cubano "um golpe em seu prestígio que beirava a humilhação".
