Revolução Russa
1917

O evento em detalhe
A Revolução Russa de 1917 (em russo: Революция 1917 года в России) foi um período de mudança política e social na Rússia, iniciado em 1917. Nesse período, a Rússia aboliu sua monarquia e adotou uma forma socialista de governo após duas revoluções sucessivas e uma guerra civil. Pode ser vista como precursora de outras revoluções ocorridas em meio às consequências da Primeira Guerra Mundial, como a Revolução Alemã de 1918-1919. A Revolução Russa foi um acontecimento fundamental do século XX.
A Revolução Russa teve início com a Revolução de Fevereiro, em 1917, em plena Primeira Guerra Mundial. Com o Império Alemão impondo derrotas no fronte e o agravamento de problemas logísticos causando escassez de pão e cereais, o Exército Russo perdia o moral, enquanto se aproximava a possibilidade de um motim em grande escala. As autoridades estavam convencidas de que, se o czar Nicolau II abdicasse, a agitação diminuiria. Nicolau renunciou em 15 de março [2 de março no calendário juliano], dando lugar a um governo provisório liderado pela Duma (parlamento). Durante os distúrbios, moradores de Petrogrado (atual São Petersburgo) formaram conselhos soviéticos que, a princípio, não se opuseram ao novo governo; no entanto, os sovietes insistiram em exercer influência sobre o governo e em controlar as milícias. Em março, a Rússia passou a ter dois governos rivais. O Governo Provisório detinha o poder estatal nos assuntos militares e internacionais, enquanto a rede de sovietes exercia poder sobre os assuntos internos. De modo decisivo, os sovietes contavam com a lealdade da classe trabalhadora e da classe média urbana. Houve motins, protestos e greves. Organizações políticas socialistas e outras de esquerda disputavam influência dentro do Governo Provisório e dos sovietes. Entre as facções estavam os mencheviques, os socialistas revolucionários, os anarquistas e os bolcheviques, um partido de extrema esquerda leninista liderado por Lenin.
Os bolcheviques ganharam popularidade com seu programa que prometia "paz, terra e pão": o fim da guerra, terra para o campesinato e o fim da fome. Depois de assumir o poder, o Governo Provisório continuou participando da guerra apesar da oposição popular. Aproveitando-se disso, os bolcheviques e outras facções conquistaram apoio popular para fazer avançar a revolução. Em resposta ao descontentamento em Petrogrado, o Governo Provisório reprimiu manifestantes, o que levou às Jornadas de Julho. Os bolcheviques reuniram as milícias operárias que lhes eram leais nas Guardas Vermelhas. A situação instável atingiu seu ápice com a Revolução de Outubro, uma insurreição armada bolchevique em Petrogrado iniciada em 7 de novembro [25 de outubro no calendário juliano], que derrubou o Governo Provisório. Os bolcheviques estabeleceram seu próprio governo e proclamaram a República Socialista Federativa Soviética da Rússia (RSFSR). Sob pressão de ofensivas militares alemãs, transferiram a capital para Moscou. A RSFSR começou a reorganizar o império no primeiro Estado socialista do mundo, com a intenção de praticar a democracia soviética em escala nacional e internacional. A promessa de encerrar a participação russa na Primeira Guerra Mundial foi cumprida quando os dirigentes bolcheviques assinaram o Tratado de Brest-Litovski com a Alemanha, em março de 1918. Os bolcheviques criaram a Tcheka, polícia secreta e serviço de segurança revolucionária encarregado de descobrir, punir e eliminar os considerados "inimigos do povo" em campanhas conhecidas como Terror Vermelho.
Embora os bolcheviques tivessem amplo apoio nas áreas urbanas, enfrentavam inimigos estrangeiros e internos que se recusavam a reconhecer seu governo. A Rússia mergulhou em uma sangrenta guerra civil, que opôs os Vermelhos (bolcheviques) a seus inimigos, entre os quais estavam movimentos nacionalistas, partidos socialistas antibolcheviques, anarquistas, monarquistas e liberais; estes dois últimos grupos apoiavam fortemente o Movimento Branco russo, liderado principalmente por oficiais de direita e visto como uma força que combatia pela restauração da ordem imperial. O comissário bolchevique Leon Trótski começou a organizar as milícias operárias leais aos bolcheviques no Exército Vermelho. Embora acontecimentos fundamentais tenham ocorrido em Moscou e Petrogrado, todas as cidades do império foram sacudidas, inclusive as províncias de minorias nacionais; nas zonas rurais, camponeses tomaram e redistribuíram terras.
À medida que a guerra avançava, a RSFSR estabeleceu o poder soviético na Armênia, no Azerbaijão, na Bielorrússia, na Geórgia e na Ucrânia. A coesão do período de guerra e a intervenção de potências estrangeiras levaram a RSFSR a começar a unificar essas nações sob uma única bandeira, criando a União Soviética. Historiadores consideram que o período revolucionário terminou em 1922, quando a guerra civil se encerrou com a derrota do Exército Branco e das facções separatistas, provocando uma emigração em massa da Rússia. O vitorioso Partido Bolchevique reconstituiu-se como Partido Comunista de Toda a União (Bolcheviques) e permaneceu no poder por seis décadas.
