Revolução Cultural na China
1966–1976
O evento em detalhe
A Revolução Cultural Chinesa, formalmente conhecida como Grande Revolução Cultural Proletária, foi um movimento sociopolítico na República Popular da China (RPC). Foi lançada pelo presidente do Partido Comunista da China (PCC), Mao Tsé-Tung, em 1966 e durou até sua morte, em 1976. Seu objetivo declarado era preservar a ideologia comunista chinesa por meio do expurgo dos remanescentes de elementos capitalistas e tradicionais da sociedade chinesa.
Em maio de 1966, com a ajuda do Grupo da Revolução Cultural, Mao lançou a revolução e afirmou que elementos burgueses haviam se infiltrado no governo e na sociedade com o objetivo de restaurar o capitalismo. Mao convocou os jovens a "bombardear os quartéis-generais" e proclamou que "rebelar-se é justificado". A agitação em massa começou em Pequim com o Agosto Vermelho de 1966. Muitos jovens responderam formando grupos de Guardas Vermelhos em toda a China. O Livro Vermelho passou a ser reverenciado no contexto do culto à personalidade de Mao Tsé-Tung. Em 1967, radicais fortalecidos rebelaram-se e tomaram o poder de governos locais e de ramos do partido, estabelecendo comitês revolucionários em seu lugar, ao mesmo tempo que destruíam os sistemas de segurança pública, procuradoria e Justiça. Esses comitês frequentemente se dividiam em facções, precipitando confrontos armados entre os radicais. Após a queda de Lin Biao em 1971, a Camarilha dos Quatro ganhou influência em 1972, e a revolução continuou até a morte de Mao em 1976, seguida pela prisão da Camarilha dos Quatro.
A Revolução Cultural foi caracterizada por violência e caos em toda a sociedade chinesa. As estimativas do número de mortos variam, indo de 1 a 2 milhões, incluindo o Massacre de Quancim, no qual ocorreu canibalismo humano, bem como massacres em Pequim, na Mongólia Interior, no Guangdong, em Yunnan e Hunan. Os Guardas Vermelhos buscaram destruir os Quatro Velhos — velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e velhos hábitos —, o que muitas vezes assumiu a forma da destruição de artefatos históricos e de locais culturais e religiosos. Dezenas de milhões de pessoas foram perseguidas, entre elas autoridades como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Dehuai; milhões foram perseguidos por integrarem as Cinco Categorias Negras, enquanto intelectuais e cientistas eram rotulados como a "Velha Nona Fedorenta". Escolas e universidades foram fechadas, e os exames nacionais de admissão ao ensino superior foram cancelados. Mais de 10 milhões de jovens das áreas urbanas foram deslocados no âmbito do Movimento de Envio ao Campo.
Em 1978, Deng Xiaoping tornou-se o líder supremo da China, substituindo o sucessor de Mao, Hua Guofeng. Deng e seus aliados introduziram o programa Boluan Fanzheng e iniciaram a reforma e abertura, que, juntamente com o movimento do Novo Iluminismo, desmantelou a ideologia da Revolução Cultural. Em 1981, o Partido Comunista reconheceu publicamente os fracassos da Revolução Cultural, declarando-a "responsável pelo revés mais grave e pelas perdas mais pesadas sofridas pelo povo, pelo país e pelo partido desde a fundação da República Popular". As memórias e perspectivas sobre a Revolução Cultural são variadas e complexas na China contemporânea. Ela é frequentemente chamada de "dez anos de caos" (chinês: 十年动乱; pinyin: shí nián dòngluàn) ou "dez anos de calamidade" (chinês: 十年浩劫; pinyin: shí nián hàojié).
